Mapeamento confere alcance e qualidade da banda larga

A qualidade da internet em Maringá fará parte de um relatório que vai revelar o retrato da banda larga e do 3G no Brasil. Em uma caminhonete equipada com câmeras em alta definição e sistema que identifica sinais de rede e provedores, Vanderlei Rigatieri, diretor da Expedição WDC/Abranet, e o técnico Leonardo Ribeiro estão visitando cem municípios e percorrendo 25 mil km para mapear a infraestrutura da internet no País.

A viagem começou em outubro e cidades de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul já foram mapeadas. A ida ao Centro-Oeste revelou a falta de infraestrutura no acesso à internet, principalmente no Mato Grosso. "A velocidade e a qualidade da banda larga são baixas, a conexão cai muito e o serviço chega a ficar interrompido o dia todo", relata o diretor da expedição.



As grandes distâncias entre os municípios são um desafio para os provedores. "As empresas têm que colocar várias torres no meio das estradas e das fazendas para fazer o sinal chegar ao cliente." As dificuldades encarecem o serviço. A mensalidade da banda larga a 1 mbps chega a R$ 100. O Programa Nacional de Banda Larga prevê tarifa de R$ 35 ao mês.

Resultados

A expedição está no Paraná. A primeira cidade visitada foi Londrina, onde Rigatieri encontrou cenário bem diferente do Centro-Oeste. "Percebi muitas operadoras atuando, sem contar a rede de fibra ótica da Copel, que atinge boa parte do Estado. Parece que o serviço é mais profissional porque a infraestrutura disponível é melhor."

A dupla está em Maringá e as sondagens feitas pela expedição mostram que a internet oferecida está dentro daquilo que os clientes têm pago. Os próximos destinos são Campo Mourão, Toledo e Pato Branco. Depois a expedição vai até Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na volta, passa pela região de Curitiba.

De acordo com dados da Redetelesul, o Paraná conta com 560 servidores cadastrados, nos 399 municípios do Estado. "Não encontramos uma cidade sequer que não tenha acesso à internet. No Ceará encontramos casas que você nem acreditava que alguém poderia morar, de tão improvisada. E lá, além de ter gente morando, funcionava um provedor. Já encontramos provedor até em assentamentos rurais", diz o expedicionário. "Constatamos que a internet está em todos os lugares. A questão é saber qual a qualidade do serviço prestado."

A ideia de avaliar a qualidade do serviço de internet no País surgiu quando Rigatieri constatou que havia pouca informação sobre o acesso à rede. "Aí eu pensei que se fosse in loco, nas principais cidades de cada região, entrevistar moradores e coletar números sobre operadoras e velocidade média, conseguiria um diagnóstico completo."

Ao desembarcar em cada município, Ribeiro e Rigatieri entrevistam os moradores e sugerem que façam o teste que mede a real velocidade do pacote contratado. "É uma forma de o usuário descobrir se não está comprando gato por lebre e exigir melhorias da empresa." O teste está disponível no endereço http://simet.nic.br. A expedição também aponta quais provedores atuam na cidade e avalia o grau de satisfação do serviço prestado.

Rigatieri explica que os resultados serão compilados em um documento que ajudará o governo federal a saber onde o sinal da web é ruim ou bom e onde há demanda por provedores. "A banda larga se tornou um item de primeira necessidade. Quem tem internet mas fica sem sinal entra em desespero. É como se faltasse energia elétrica", compara.

Dois critérios definiram a seleção dos cem municípios visitados: estar no trajeto da fibra ótica da Telecomunicações Brasileiras S.A.(Telebras) e ter taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos dez anos acima da média nacional. O intuito é descobrir também se a internet ajudou a acelerar o desenvolvimento econômico dessas localidades.

Fonte   http://maringa.odiario.com/